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O crush é onipresente

O crush não é um conceito novo, seja no mundo, na nossa cultura ou nas nossas vidas, ele sempre existiu. Indo contra a moda de substituir o maior número de expressões por seus correspondentes na língua inglesa, eu escolho chamar o meu crush de amor platônico. A paixonite é minha e eu chamo como quiser. Nós já falamos sobre esse tema aqui, mas hoje, eu resolvi compartilhar um pouquinho da minha experiência com o amor não concretizado e, olha, a história é longa!

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Era uma vez um crush…

Você pode não lembrar, mas aposto que, desde a primeira infância, você já andava por aí se apaixonando por uns e outros. Se você quer saber, o crush amor platônico é onipresente, ele SEMPRE esteve lá. “Lá onde?”, você me pergunta. Lá, na sua cabeça! E como é difícil tirar ele de lá. Se um some, logo outro aparece. Na minha cabeça, ou, se você for romântica, no meu coração, já bateram ponto MUITOS amores platônicos, a rotatividade por aqui é bem alta.

Sabe aquela música que diz “o primeiro foi seu pai”…? Pois é, na minha lembrança, o pioneiro platônico foi o meu progenitor. Ele que contribuiu com metade da minha carga genética, cuidou e deu carinho, não podia ter outro destino senão virar a primeira paixonite da filha. Até aí, nada de novo. O “pai amor platônico” é quase uma unanimidade. A graça começa quando damos início à vida escolar e, finalmente, passamos a conviver com uma diversificada variedade de potenciais amores platônicos.

Não citarei nomes para proteger a identidade dos envolvidos e a minha privacidade, mas lembro até hoje da minha primeira paixonite do colégio ainda na pré-escola, coisa rápida, mas se repetiu alguns anos depois… O segundo era o menino mais lindo do colégio. Não sei se mais alguém achava, mas pra mim era! Minha maior chateação foi não ter dançado com ele na festa de conclusão do ABC. O encanto quebrou alguns anos depois, quando ele pediu pra pescar na prova. CRUSH. CRACK. POW. Essa primeira desilusão, abalou meu emocional infantil. Foi quando tive uma recaída com o primeiro amor. Mais uma vez, não durou muito. Acho que não tínhamos química!

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Veja que isso aconteceu na minha primeira década de vida. Eu era uma crusheira iniciante e inexperiente.  Mas a profissionalização veio antes mesmo de deixar o fundamental. Me apaixonei por colegas de sala, colegas da sala ao lado, primos, primos das minhas primas, vizinhos, garotos do transporte escolar… Tudo isso e eu cheguei ao Ensino Médio sem nunca beijar na boca! Sério, eu fui a rainha do amor platônico! Meu primeiro beijo só aconteceu aos 16 anos e adivinha com quem! Um amor platônico! Essa foi minha segunda desilusão. Não que tenha sido ruim, pelo contrário, mas 5 minutos depois eu não queria ver a cara do então ex-amor platônico pintada de ouro na minha frente. Vai entender!

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No Ensino Médio, eu fui apaixonada por amigos, amigos dos amigos, pelo garoto do outro colégio que eu via na parada, pelos atletas da equipe de natação, vôlei e handebol… tudo isso sem dar um beijinho sequer. Eita, vida dura! Mas aí, veio a faculdade, o trabalho, o mundo além das estruturas pelas quais andamos tradicionalmente, e a variedade de possíveis amores ficou ainda maior. Alguns desses amores foram concretizados, outros não. Alguns foram concretizados e depois tornaram-se platônicos… Com o tempo, essa história de crush foi ficando muito complexa, mas o que posso afirmar é que eles sempre existiram e sempre vão existir. Você sabe que eles estão lá!

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Amores platônicos – Quem nunca?

Você lembra do seu primeiro relacionamento amoroso? Eu não estou falando do seu primeiro beijo ou namoradinho(a) da escola. O nosso primeiro relacionamento geralmente é um grande e inabalável amor platônico por algum ídolo.

Até os meus 9 anos de idade, eu namorava com o Zac Hanson, aquele mini baterista fofíssimo da banda Hanson, mas ele não sabia disso, óbvio. Não podia passar um clipe na TV que já tentava ver tudo sem piscar os olhos, gravava em fita VHS (#alertadevelhice) todos os programas dos quais ele participava e via em looping infinito depois, comprava revistas que tinha fotos dele, usava a Internet pra baixar fotos e gravar em vários e vários disquetes (#alertadevelhice2) e sabia absolutamente tudo sobre ele, até que ele amava comer jujubas. Eu comecei a comer jujubas por causa disso, porque até então era o doce que eu desprezava em todas as festinhas infantis.

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Aos meus 10 anos, o filme Titanic estreou e o Leonardo Dicaprio aconteceu na minha vida. E na vida de 10 entre 10 meninas da minha idade! Vi esse filme pelo menos 3 vezes no cinema, comprei os 2 VHS do filme (sim, era dividido em duas partes) e tudo mais que eu sempre fazia ao entrar em outro relacionamento como esse.

Com 13 anos, eu conheci o Axl Rose no clipe de Sweet Child O’Mine e ele foi o homem da minha vida. Mesmo Guns N’Roses não estando mais no auge, eu alimentava o meu amor platônico por ele com muitas e muitas fotos, músicas e clipes. E como foi decepcionante ver ele no Rock in Rio 3, gordo, desafinado e apenas suando feito um suíno.

E como era bom! Mesmo que muitos pensem que é ruim ter qualquer tipo de amor platônico, eu digo que, na infância e na adolescência, isso é maravilhoso e faz a gente refletir sobre os nossos relacionamentos depois de adultas. Vou te dizer o porquê:

1) Nossos amores de infância sempre são apenas lindos. OK, eles podem ser excelentes cantores, atores e tudo mais, porém nosso amor se baseava principalmente na beleza deles. Quando a gente cresce, percebe que existem muitos outros pontos, antes da beleza, que contam para a gente amar alguém, como companheirismo, interesses em comum, planos de vida parecidos etc. Quem não percebe isso nem depois de adulta e continua procurando apenas os “gatinhos” provavelmente vai entrar e sair de vários relacionamentos que não darão certo.

2) Quando crescemos, percebemos que nossos amores platônicos só são perfeitos porque estão distantes de nós. Mesmo sabendo tudo sobre eles (da comida favorita ao tamanho do sapato), não sabemos como são a personalidade e os hábitos deles na intimidade. Então, se você não aprendeu ainda, aprenda uma lição: as pessoas que estão mais perto de nós são as que têm mais chance de nos decepcionar em algum momento. Namoro e casamento se constroem com amor, renúncia e perdão quando necessário.

Hoje eu e as outras duas garotas na calçada somos adultas, nos aproximamos dos 30 anos (cof cof), temos ou procuramos relacionamentos reais e… continuamos com alguns amores imaginários, porque  ninguém é de ferro! A diferença é que temos plena consciência da realidade que falamos acima.

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Eu e o Bruno Mars, por exemplo, poderíamos ser um par perfeito. A Zilma e o Adam Levine; a Carol e o Jensen Ackles também! E assim seguimos exercitando a nossa imaginação amorosa. E você? Conta pra gente qual o seu amor imaginário! <3