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Cuidado com ela

“Cuidado com ele (a)”. Este é um conselho que eu odeio ouvir. Soa sempre como um desafio proposto particularmente para mim pelo locutor da frase: invariavelmente, um amigo ou parente muito bem-intencionado. Querida amiga, mãe, irmão… seja você quem for que me aconselha tão prestativamente, já não deveria saber que farei exatamente o contrário?

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Algum tempo atrás, eu tinha medo de voar de parapente, até um namorado me convencer que seria maravilhoso. Voar de parapente está entre as minhas experiências de vida favoritas. Atualmente, eu planejo um voo de asa-delta da Pedra da Gávea na minha próxima ida ao Rio de Janeiro e penso em como deve ser emocionante um salto de paraquedas. Na minha primeira viagem ao Rio, que fiz com esse mesmo namorado do voo de parapente, recebi muitos conselhos de cuidado e sobre os perigos da cidade. Adivinhem o que aconteceu… Nada de ruim! O Rio de Janeiro é um dos lugares mais lindos que já conheci.

RJ

Quanto ao namorado, ele também foi alvo dos pedidos de cuidado. Às vezes, tem bastante fundamento. Tal e qual o Nego do Borel, tive meu coração partido. Vivi uma das piores fases da minha vida, não apenas depois do fim desse relacionamento, mas durante também. Mas é como diz a música: “meu amor, não tem problema não”. A gente se descuida, se joga sem paraquedas, se estraçalha no chão, sente uma dor danada, mas é tudo metafórico. A dor não, ela é real até demais, mas ela passa e depois te sobram as boas experiências que você viveu por se arriscar.

Eu me descuido com frequência, meu coração não tem alerta antivírus, ele simplesmente não detecta pessoas perigosas. De vez em quando, a gente coloca o coração partido em quarentena e pode ter certeza que depois fica tudo certo. E olha que não estou falando apenas de malwares românticos! Quantas vezes já ouvi: “cuidado com essa menina, ela não é sua amiga de verdade” ou “ela isso”, “ela aquilo”? Já passei vergonha por causa de amigas, já fui erroneamente acusada, humilhada, já apanhei, já tive um, dois, três esquemas involuntariamente compartilhados… Tudo quanto é descuido, pode colocar na minha conta, não adianta, é muito fácil invadir e trapacear meu coração. Mas se você me perguntar, eu não mudaria nada disso. Essas pessoas foram responsáveis por alguns dos dias mais divertidos da minha vida, além do aprendizado que elas deixaram.

A verdade é que, toda vez que ouço a frase “cuidado com ele(a)”, não posso evitar de pensar nas experiências maravilhosas que aquela pessoa pode me oferecer e que, por acaso, o alerta pode ser infundado. Tenho algumas pessoas na minha vida que podem provar isso. Elas são cheias de defeitos, assim, que nem eu e você, por isso, alguns detectores de perigo podem ser acionados, mas, no fim das contas, elas permitem que seu software funcione ainda melhor que antes.

Se você quer saber, eu espero que, vez ou outra, alguém diga sobre mim: “cuidado com ela!” e espero que a pessoa que ouvir esse conselho decida se arriscar mesmo assim. Por aqui, também tem muitos perigos e ainda mais experiências maravilhosas.

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Assédio de quinta

Quem de nós, mulheres, nunca sofreu um assédio ao longo da vida? Se você levantou seu dedo aí atrás dessa tela, me conta em que mundo você vive!

Ontem, quinta-feira, saí com a Carol para o que pode se chamar de “a melhor baladinha da cidade”: música boa (vou pular a parte de que o tributo não foi bem um tributo, porque não vem ao caso), cerveja gelada, gente bonita e… ops! Infelizmente, na melhor baladinha não existem apenas as “melhores pessoas”, bacanas, educadas, respeitosas, de bom senso e coisa e tal.

No meio da noite, um rapaz vem em minha direção e rapidamente me puxa pela nuca, aproximando meu rosto do dele, em busca de um beijo. Mas que cultura escrota é essa que colocou na cabeça de gente como ele que é assim que se deve tratar uma mulher?

A minha vontade era de reagir com um tabefe, juro pra vocês. Mas juro também que minhas reações são meio retardatárias e me dão tempo para refletir – ou o processo é o inverso. O fato é que minha mão não estalou na face dele, mas consegui nocauteá-lo com um “não é assim que se conquista uma mulher”. NÃO É, RAPAZES.

Aí a gente – a maioria das mulheres – se condiciona a dizer que “não foi nada”, “é besteira”! Mentira. Não mintam pra vocês. Não se enganem e nem se deixem ser enganadas. É assédio, sim.

Passado

Eu já me arrependi por ter engavetado o pior assédio que sofri. Imagina uma garota de seus 20 anos aproximadamente, no início da sua carreira profissional, num de seus primeiros estágios, que foi agarrada e beijada a força pelo dono da empresa dentro de um carro? Era eu.

Esse ser asqueroso merecia um processo, mas há cerca de 10 anos fingi que não tinha sido nada. Pela inocência, pela inexperiência, pela vergonha. E foram tantos outros assédios até que eu pudesse aprender a, pelo menos, abrir a boca.

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Hoje o recado é simples, objetivo, direto. Deixo aqui mais uma das inúmeras histórias sobre assédio nessa imensidão da internet, para somar minha voz a de Su Tonani, Magdalena Gorka, Amanda White, Zilmas, Carolinas, Lahislas, Marias e Joanas… até que nosso coro cale a voz do machismo e da cultura de estupro.

#chegadeassédio

Casar não é tão romântico assim

 

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Quase tudo que a gente vê sobre casamento por aí tem um ar romântico, né? Assim parece que tudo, desde a cerimônia até “que a morte nos separe”, será como nos filmes de princesas, onde depois do “sim” terminam todos os conflitos da estória. Mas nem tudo são flores de um lindo buquê de noiva, minhas amigas e meus amigos, e eu vim aqui escrever esse post (estava devendo faz tempo!) para tirar um pouco das ilusões de quem ainda as tiver.

Na vida real os conflitos já começam na preparação da cerimônia de casamento. A menos que você seja milionária(o) ou possa permutar toda a festa em publicidade no seu canal do YouTube feito Preta Gil, você precisará passar muitas horas da sua vida verificando orçamentos e fazendo seu planejamento financeiro para pagar a festa.  Então amiga(o), já comece sabendo que serão cerca de 600 horas de trabalho duro para apenas 5 horas de romantismo e momentos lindos com família e amigos.

Depois vem a parte da “realidade do dia a dia”, essa que é menos romantizada, mas ainda assim só sabemos o que é conviver com alguém que tem uma criação e costumes diferentes dos seus quando já estamos de fato vivendo juntos. Sabe aquele seu quarto que estava sempre arrumado do seu jeito? Já era! Sabe aquele seu costume de deitar no sofá sem ter hora pra sair? Já era! As coisas funcionam em uma outra dinâmica e agora tudo é decidido em dupla, sua vontade individual estará sempre um pouco de lado. Aqueles pensamentos românticos de “somos um” e “combinamos em tudo” começam a esmaecer e aí você terá o choque de realidade: Casar não é tão romântico assim!

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Como eu nunca fui muito romântica, daquelas que acham que vão achar o príncipe perfeito (rico, bonito e com a mesma orientação sexual que eu), gostam de receber flores e lembram todos os meses da data de aniversário de namoro, posso dizer que a minha queda do ideal para o real não foi tão alta. Mesmo assim ela aconteceu quando resolvi morar com meu noivo e tenho algumas conclusões para compartilhar:

1. Da festa de casamento você só ficará com as fotos e as lembranças na sua memória, portanto não gaste muito tempo (nem muito dinheiro) com detalhes demais e com tudo que dizem por aí que você TEM QUE TER no seu “grande dia”. Quanto menos trabalho você tiver, mais equilibrada vai ser a proporção “horas de trabalho duro x horas de romantismo” no dia do seu casório.

2. A vida é um grande planejamento e viver juntos exige planejamento em dobro pra que os desejos de um, do outro e do casal sejam realizados. É preciso cuidado para não atropelar a vontade do seu parceiro(a).

3. Casamento é uma parceria, então é preciso que antes de existir paixão, exista amizade e amor. Com o tempo, a beleza vai embora, as dificuldades aparecem de tempos em tempos e o romantismo vai ficar de lado até que sejam resolvidas as urgências do dia a dia. O importante é no fim do dia saber que aquela pessoa está do seu lado para tudo e que vocês se admiram, se gostam e se respeitam.

Sejamos um pouco mais práticos ao pensar em construir uma vida a dois. Tudo demais é veneno e romantismo demais deve estar entre os top 3 motivos que levam ao fim dos casamentos.

30 dias para os 30

Há 29 anos e 335 dias, nasci. Era uma quarta-feira. Não que eu lembre! O calendário – digital, claro – ajuda.

5 meses de fofura e beleza.

Gosto da data, mesmo que ela não tenha me permitido comemorar com os coleguinhas da escola. Era sempre férias. Nascer duas semanas depois do Natal e uma semana depois do Réveillon é uma ótima desculpa para os familiares darem apenas um presente ao invés de dois, mas sinceramente nem lembro se economizaram muito nos presentes.

Gosto do signo também. Dizem as más línguas que capricornianos são ambiciosos. Mas quem é que não quer uma vida melhor? E esse coração de gelo que pintam é mentira, viu? Amamos até demais, é que preferimos nos proteger das incertezas e inseguranças às vezes. Só digo que vale a pena conhecer as virtudes dos capricas.

Daqui a 30 dias, chego à marca dos 30, marcados pela relatividade do tempo que todos nós conhecemos.

LINHA DO TEMPO

Aos 10, o tempo parecia lento e os sonhos eram tímidos: ganhar um brinquedo, terminar os estudos (ainda não sabia que isso era pra sempre!), ganhar mais um LP ou sandália da rainha dos baixinhos. Tinha certa pressa de chegar aos 20, digamos. Mas só depois de passada a infância é que nos damos conta que deveríamos tê-la dado mais valor e tê-la saboreado nesse ritmo lento mesmo.

Aos 20, olhava para o passado já saudosa, mas a ansiedade pelos 30 era maior. Afinal, era apenas o começo da vida adulta. E ela já era corrida! Os sonhos? Mais audaciosos. A formatura estava por vir e o trabalho já era rotina. Queria, agora, colher os frutos do meu próprio suor: carro próprio, viagens, alguns bens materiais.

Chegando aos 30, mais tantos sonhos realizados: algumas viagens na conta, algumas tatuagens, algumas corridas e danças também. Outros tantos ainda por realizar! Essa conta só aumenta. A cada sonho realizado, almejamos dois novos. Pior que juros de financiamento. Será possível sair deste plano com a conta quitada?

Por outro lado, menos vida, matematicamente falando. Algumas rugas na testa, algumas desilusões, algumas cirurgias também. Duas, mais precisamente. Nenhuma plástica até agora, vejam só! Mas, incrivelmente, sentindo-me mais bonita que aos 15. Mais vitalidade. A matemática da vida realmente é confusa.

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De Repente 30 (Filme)

CONTAGEM REGRESSIVA

Ao logo desse caminho todo, me apeguei a signo, números e crenças. Daqui a 30 dias, completarei 30 anos, no dia 7/1/17, no sétimo dia da semana. Quero estar neste sábado com uns 30 amigos, às 17h, para combinar. Vamos ver o pôr do sol. Sunset, para rimar.

Faltam 30 dias. E a vida toda pela frente.

[TRILHA SONORA DE HOJE]

#30diasparaos30

Planejamento Pessoal – Por que fazer?

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Para quem ainda não sabe, sou um pouco obcecada com planejamento. Assim sendo, já pensei no meu ano de 2017 de frente para trás e de trás para frente mais de uma vez. Minha agenda do ano que vem, por exemplo, comprei em novembro, e já está cheia de marcos e planos. Resolvi compartilhar aqui no blog um pouco dos meus motivos e métodos de planejamento pessoal. Vou começar com uma citação de Lewis Carrol em Alice no País das Maravilhas que diz: “Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve”.

Outra citação famosa que diz o mesmo é do filósofo Sêneca: “nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”. Essas frases são repetidas incansavelmente em palestras motivacionais e foi, com certeza, em uma delas que as ouvi pela primeira vez. A questão é que, quando penso sobre isso, tenho o forte desejo de não ser apenas mais um barquinho à deriva. Como boa representante da geração Y, eu preciso de significado!

Isso também ficou claro pra mim quando tive a oportunidade de começar a trabalhar com planejamento dentro de empresas. Fiquei fascinada com as identidades organizacionais. De repente, era muito óbvio que, antes de saber o que eu queria para a minha vida, no presente e no futuro, era necessário me aprofundar um pouco mais em minha própria identidade. Os meus objetivos precisariam estar intimamente ligados à minha missão de vida e aos meus valores para que não afundassem em um barco furado à deriva no oceano.

É assim, então, que começo todos os meus planejamentos, elaborando a minha missão e os meus valores. Hoje, não preciso mais criá-los, já estão bem definidos, mas não há nenhum planejamento que eu faça em que eu não comece reescrevendo esses dois tópicos.

Minha missão: Fazer a diferença de uma forma positiva na vida das pessoas
Meus valores: Gentileza, resiliência, foco e excelência

Isso é uma estratégia não apenas de planejamento, mas de marketing pessoal, e as duas coisas estão completamente conectadas. Para saber onde queremos ir, primeiro precisamos saber quem nós somos e esse processo exige reflexão e tempo. Um professor uma vez me disse que é necessário dedicar tempo para termos tempo. Ele estava falando sobre planejamento e, acredite, o tempo que você gastar planejando será um investimento em muito mais tempo no futuro!

Durante o mês de dezembro, todas as segundas-feiras, farei uma publicação sobre planejamento. Na próxima semana, vou falar um pouquinho sobre como criar a sua própria missão e valores e, assim, decidir o rumo que seu barco deve tomar.

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O crush é onipresente

O crush não é um conceito novo, seja no mundo, na nossa cultura ou nas nossas vidas, ele sempre existiu. Indo contra a moda de substituir o maior número de expressões por seus correspondentes na língua inglesa, eu escolho chamar o meu crush de amor platônico. A paixonite é minha e eu chamo como quiser. Nós já falamos sobre esse tema aqui, mas hoje, eu resolvi compartilhar um pouquinho da minha experiência com o amor não concretizado e, olha, a história é longa!

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Era uma vez um crush…

Você pode não lembrar, mas aposto que, desde a primeira infância, você já andava por aí se apaixonando por uns e outros. Se você quer saber, o crush amor platônico é onipresente, ele SEMPRE esteve lá. “Lá onde?”, você me pergunta. Lá, na sua cabeça! E como é difícil tirar ele de lá. Se um some, logo outro aparece. Na minha cabeça, ou, se você for romântica, no meu coração, já bateram ponto MUITOS amores platônicos, a rotatividade por aqui é bem alta.

Sabe aquela música que diz “o primeiro foi seu pai”…? Pois é, na minha lembrança, o pioneiro platônico foi o meu progenitor. Ele que contribuiu com metade da minha carga genética, cuidou e deu carinho, não podia ter outro destino senão virar a primeira paixonite da filha. Até aí, nada de novo. O “pai amor platônico” é quase uma unanimidade. A graça começa quando damos início à vida escolar e, finalmente, passamos a conviver com uma diversificada variedade de potenciais amores platônicos.

Não citarei nomes para proteger a identidade dos envolvidos e a minha privacidade, mas lembro até hoje da minha primeira paixonite do colégio ainda na pré-escola, coisa rápida, mas se repetiu alguns anos depois… O segundo era o menino mais lindo do colégio. Não sei se mais alguém achava, mas pra mim era! Minha maior chateação foi não ter dançado com ele na festa de conclusão do ABC. O encanto quebrou alguns anos depois, quando ele pediu pra pescar na prova. CRUSH. CRACK. POW. Essa primeira desilusão, abalou meu emocional infantil. Foi quando tive uma recaída com o primeiro amor. Mais uma vez, não durou muito. Acho que não tínhamos química!

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Veja que isso aconteceu na minha primeira década de vida. Eu era uma crusheira iniciante e inexperiente.  Mas a profissionalização veio antes mesmo de deixar o fundamental. Me apaixonei por colegas de sala, colegas da sala ao lado, primos, primos das minhas primas, vizinhos, garotos do transporte escolar… Tudo isso e eu cheguei ao Ensino Médio sem nunca beijar na boca! Sério, eu fui a rainha do amor platônico! Meu primeiro beijo só aconteceu aos 16 anos e adivinha com quem! Um amor platônico! Essa foi minha segunda desilusão. Não que tenha sido ruim, pelo contrário, mas 5 minutos depois eu não queria ver a cara do então ex-amor platônico pintada de ouro na minha frente. Vai entender!

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No Ensino Médio, eu fui apaixonada por amigos, amigos dos amigos, pelo garoto do outro colégio que eu via na parada, pelos atletas da equipe de natação, vôlei e handebol… tudo isso sem dar um beijinho sequer. Eita, vida dura! Mas aí, veio a faculdade, o trabalho, o mundo além das estruturas pelas quais andamos tradicionalmente, e a variedade de possíveis amores ficou ainda maior. Alguns desses amores foram concretizados, outros não. Alguns foram concretizados e depois tornaram-se platônicos… Com o tempo, essa história de crush foi ficando muito complexa, mas o que posso afirmar é que eles sempre existiram e sempre vão existir. Você sabe que eles estão lá!

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Todo dia, um novo 7×1

Um dos maiores acontecimentos da Copa do Mundo de 2014 foi, sem sombra de dúvidas, o fatídico placar da semifinal Brasil 1 x 7 Alemanha. Ainda lembro como se fosse hoje: tinha conseguido uma mesa, de última hora, em um bar lotado pra assistir ao jogo com uma amiga. Aos primeiros goles de cerveja e beliscadas no petisco, vimos a Alemanha iniciar sua goleada.

Depois do terceiro ou quarto gol, já não sabíamos mais diferenciar o que era replay do que era ao vivo. Estávamos – todos no bar – zonzos, atônitos, completamente desnorteados. Silêncio no recinto.reginaldo-rossi-garcom

Garçom!? A conta, por favor.

Não sei quantos masoquistas restaram no estabelecimento ao final do jogo.

O placar virou meme, óbvio! Mais que isso, diria que virou um jargão metafórico do nosso dia a dia, onde quaisquer desventuras em série são comparadas a ele. Prato cheio para os dramáticos e pessimistas, não basta sofrer um 7×1 só na vida, tem que ser todo dia.

7x1

No que deveria ser mais um belo dia de 2016, revivi aquela sensação de estar perdida, desnorteada. Depois de tanto usar ordinariamente o que descrevi como jargão metafórico, pensei estar sofrendo meu 7×1 pessoal de verdade.

O que eu não sabia naquele momento é que, nessa partida, o “Brasil” tinha feito seu único gol antes da “Alemanha” marcar os seus sete. Aos poucos, o desespero foi passando e o cenário tomando forma. Desanuviei. Entendi que, de fato, era um 7×1. Mas, dessa vez, eu não era o time canarinho. Um novo 7×1! E agora, volta e meia, me pego sussurrando: gol da Alemanha.

BELO HORIZONTE, BRAZIL - JULY 08: Miroslav Klose of Germany celebrates scoring his team's second goal during the 2014 FIFA World Cup Brazil Semi Final match between Brazil and Germany at Estadio Mineirao on July 8, 2014 in Belo Horizonte, Brazil. (Photo by Robert Cianflone/Getty Images)

(Photo by Robert Cianflone/Getty Images)

O ex enviou uma solicitação de amizade

girl_dream_with_exAcordou com uma sensação estranha no estômago, sem saber se tivera um sonho ou um pesadelo. “Pesadelo, claro! Desde quando sonhar com o ex é uma coisa boa?”, pensou. Pouco depois, à mesa do café, a mãe pergunta:

– Vem cá, e o Fulano, como está? Nunca mais soube dele!

Claro que a mãe não ouvira mais falar dele, afinal, quem fica por aí falando sobre o ex? Ela é que não! Pegou a bolsa, os livros, o caderno, e foi para a faculdade. Mais uma aula da disciplina mais exaustiva do semestre. “Aqui eu vou me concentrar”. Mas o pensamento vagou mais uma vez até aquela estranha coincidência. Primeiro o sonho, depois o repentino interesse da mãe. “E agora, qual o próximo sinal?”.

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Na tela do celular, uma notificação: Fulano enviou uma solicitação de amizade.

 

“Ok, só pode ser uma conspiração!”. Eles já não se falavam há quase um ano e agora isso? Mesmo durante a aula, desbloqueia o telefone sem nenhuma cerimônia, clica no perfil dele e navega devagar pela timeline. “Quem é essa pessoa? Como ele estará agora?”. Para ela, já não passa de um estranho. “Será que ele mudou? Será que casou? Por que me adicionou exatamente hoje, quando tudo já me fizera lembrar dele?”.

A sensação estranha voltou à boca do estômago. Na solicitação de amizade, clicou em aceitar. “É apenas uma rede social e tudo que aconteceu já passou há tanto tempo”…

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Na tela do celular, outra notificação: – Oi!

 

Uma única palavra, uma sílaba, foi o suficiente para que aquela sensação inexplicável se transformasse em um vulcão, queimando-a toda por dentro, avassalador. Por um momento, lembrou das conversas na madrugada, dos beijos, das noites que passaram juntos. Lembrou também das lágrimas que chorou escondida, das noites sem dormir, das palavras ignoradas, da solidão.

Pensou no vulcão dentro do peito e na terrível sensação na boca do estômago. “Tudo isso vai passar, é uma questão de tempo”, ela sabia. “Mas isso ainda não passou”.

De volta ao perfil dele, clicou em bloquear.

Amiga, você sabe quem casou?

O dia começou como outro qualquer: ela tomou banho, arrumou-se, tomou café e foi para o trabalho. É necessário ganhar a vida! Passou a manhã inteira em frente ao computador, almoçou ao meio-dia e voltou para a máquina, onde ficou toda a tarde. A rotina diária é tão repetitiva que chega a ser cansativa, não concorda? Como na música de Chico, “todo dia ela faz tudo sempre igual” e o fim do expediente não a liberta para nada de novo. Há quanto tempo ela vive essa mesma missão diária? Acorda, trabalha, volta para uma noite vazia em casa, dorme, acorda, trabalha…

Já em casa, tira a roupa e toma um banho rápido, só para tirar a fadiga do dia, vai até a geladeira e pega qualquer coisa para comer e liga a TV da sala em qualquer canal, só para passar o tempo. Com o celular em uma das mãos, conecta-se ao Facebook e investiga a timeline para atualizar-se sobre as novidades do mundo e da vida dos amigos. Há quanto tempo ela não sai com nenhuma daquelas pessoas? Já não se ligam e raramente trocam mensagens. Para quê? Está tudo ali naquela pequena tela: quem casou, quem se mudou, quem teve filhos, mudou de trabalho, fez aniversário, saiu para jantar, até quem faleceu…

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Mas espera aí! Ela volta um pouco a barra de rolagem. Quem casou!? O Fulano, seu último namorado, exibe as fotos com a esposa. A festa aconteceu no último fim de semana. “Só pode estar grávida”, ela pensa, maliciosa, “começaram a namorar há um ano”! Em quase três anos de namoro com o Fulano, a palavra casamento nunca foi mencionada. Ela começa a se perguntar o porquê.

Não foi só o Fulano que casou, o Sicrano está noivo e o Beltrano há anos mora junto com a namorada. O Facebook acusa que todos os ex-namorados dela estão hoje em relacionamentos sérios. “Qual o problema comigo?”, ela pensa. Manda mensagem para as amigas perguntando “vocês viram quem casou?” e, sim, todas elas já sabiam, mas ninguém ligou ou mandou mensagem dizendo “pensei que você tinha visto”.

Ela deixa imediatamente o celular de lado, desliga a TV e volta para o quarto. Na cama, revira-se a noite inteira. “Qual o problema comigo?”. No outro dia, como em outro qualquer, ela acorda, toma banho, arruma-se, toma café e vai trabalhar. É necessário ganhar a vida!

Tenho teoricamente tudo, mas não estou feliz. O que falta?

Tenho uma família, uma casa, um diploma, um emprego, um salário, amigos, algumas viagens. Não é a melhor casa do mundo, definitivamente não é o melhor salário do mundo e adoraria viajar mais sem sombra de dúvidas, mas é suficiente para muita gente se dizer feliz.

Tá certo que a vida não é sempre um mar de rosas ou um mar de chocolates ou um mar de ______________ (digite aqui do que gostaria que fosse feito o seu mar). Já falei em algum lugar, em algum dia da minha vida, que não acredito em gente “100%” feliz. Não gosto de extremos, nem de absolutos. Sempre tem alguma coisa ou acontecimento que entristece. Enquanto sua porcentagem de tempo em que está feliz continua com a média alta, acho que é super normal.

Mas então por que às vezes nos sentimos tão ansiosos para preencher itens, como se a vida tivesse uma checklist da felicidade? Tenho duas fortes suspeitas para comentar aqui.

  1. As pessoas se sentem confortáveis criando um padrão para tudo: da beleza à quantidade de filhos que você tem. O problema é que nem todos conseguem ou querem alcançar esse padrão. Atualmente, as mulheres são cobradas por terminarem uma faculdade, arrumarem um bom emprego, casarem e terem filhos, serem boas mães e boas donas de casa… Ufa! E tudo antes dos 30, enquanto ainda somos jovens, bonitas e temos muita disposição. Tudo isso vira uma autocobrança enorme, uma pressa de realizar que acaba tendo um custo alto para a nossa saúde emocional.
  2. Somos pessimistas e temos a mania de nos comparar apenas com quem já está onde queremos chegar, esquecendo que a maioria das pessoas talvez não tenha chegado lá ainda ou que mesmo as que chegaram talvez também não estejam felizes. A pressa para realizar tudo que deseja é tão grande que acabamos não identificando os sinais que a vida nos dá sobre os caminhos que devemos seguir.

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E, mesmo sabendo disso, é muito difícil controlar nossos anseios e tristezas, né? Não existe uma receita para mudar isso, infelizmente, mas podemos compartilhar algumas dicas com vocês:

  • Procure não se balizar tanto pela vida dos outros, principalmente pelo que publicam nas redes sociais, onde a vida é quase sempre bela demais. Foque em encontrar seu próprio caminho.
  • Faça atividades que te proporcionem prazer e felicidade: correr, dançar, pedalar, ir à praia, ver filmes, ler, sair com amigos, tomar bons drinks etc. Assim, sua rotina será menos pesada.
  • Tome notas dos seus sentimentos, principalmente os negativos, pois externá-los ajuda a aliviar um pouco.
  • Por fim, não hesite em procurar a ajuda de um profissional, caso considere necessário. Psicólogo não é nenhum bicho de sete cabeças.

Fiquem bem. Beijos no coração 🙂

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