Cuidado com ela

“Cuidado com ele (a)”. Este é um conselho que eu odeio ouvir. Soa sempre como um desafio proposto particularmente para mim pelo locutor da frase: invariavelmente, um amigo ou parente muito bem-intencionado. Querida amiga, mãe, irmão… seja você quem for que me aconselha tão prestativamente, já não deveria saber que farei exatamente o contrário?

Parapente_Canoa_Quebrada

Algum tempo atrás, eu tinha medo de voar de parapente, até um namorado me convencer que seria maravilhoso. Voar de parapente está entre as minhas experiências de vida favoritas. Atualmente, eu planejo um voo de asa-delta da Pedra da Gávea na minha próxima ida ao Rio de Janeiro e penso em como deve ser emocionante um salto de paraquedas. Na minha primeira viagem ao Rio, que fiz com esse mesmo namorado do voo de parapente, recebi muitos conselhos de cuidado e sobre os perigos da cidade. Adivinhem o que aconteceu… Nada de ruim! O Rio de Janeiro é um dos lugares mais lindos que já conheci.

RJ

Quanto ao namorado, ele também foi alvo dos pedidos de cuidado. Às vezes, tem bastante fundamento. Tal e qual o Nego do Borel, tive meu coração partido. Vivi uma das piores fases da minha vida, não apenas depois do fim desse relacionamento, mas durante também. Mas é como diz a música: “meu amor, não tem problema não”. A gente se descuida, se joga sem paraquedas, se estraçalha no chão, sente uma dor danada, mas é tudo metafórico. A dor não, ela é real até demais, mas ela passa e depois te sobram as boas experiências que você viveu por se arriscar.

Eu me descuido com frequência, meu coração não tem alerta antivírus, ele simplesmente não detecta pessoas perigosas. De vez em quando, a gente coloca o coração partido em quarentena e pode ter certeza que depois fica tudo certo. E olha que não estou falando apenas de malwares românticos! Quantas vezes já ouvi: “cuidado com essa menina, ela não é sua amiga de verdade” ou “ela isso”, “ela aquilo”? Já passei vergonha por causa de amigas, já fui erroneamente acusada, humilhada, já apanhei, já tive um, dois, três esquemas involuntariamente compartilhados… Tudo quanto é descuido, pode colocar na minha conta, não adianta, é muito fácil invadir e trapacear meu coração. Mas se você me perguntar, eu não mudaria nada disso. Essas pessoas foram responsáveis por alguns dos dias mais divertidos da minha vida, além do aprendizado que elas deixaram.

A verdade é que, toda vez que ouço a frase “cuidado com ele(a)”, não posso evitar de pensar nas experiências maravilhosas que aquela pessoa pode me oferecer e que, por acaso, o alerta pode ser infundado. Tenho algumas pessoas na minha vida que podem provar isso. Elas são cheias de defeitos, assim, que nem eu e você, por isso, alguns detectores de perigo podem ser acionados, mas, no fim das contas, elas permitem que seu software funcione ainda melhor que antes.

Se você quer saber, eu espero que, vez ou outra, alguém diga sobre mim: “cuidado com ela!” e espero que a pessoa que ouvir esse conselho decida se arriscar mesmo assim. Por aqui, também tem muitos perigos e ainda mais experiências maravilhosas.

eyes

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1 Comment

  1. Que Belo texto! Talvez eu tenha deixado o amor da minha vida escorrer pelas minhas mãos devido a um “cuidado com ela”. Não fui corajoso o suficiente pra entrar de cabeça.. Mas se um dia isso acontecer de novo, não pensarei duas vezes.. tchau dignidade rsrs

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