Aos 14 anos, esperava ansiosamente pelo sábado, quando, a partir das 14 horas, eu poderia acessar a internet pelo computador do meu primo mais velho. Sinto uma enorme nostalgia ao lembrar o som de acesso à internet discada. Depois de conectada, na companhia de uma prima ainda mais nova que eu, abria o mIRC e esperava que alguém iniciasse uma conversa privada.

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Depois das perguntas básicas, nome e idade, nós contávamos coisas como onde estudávamos, em que bairro morávamos, chegamos até a bater fotos pra colocar na rede. Hoje fico feliz pelo fato de que nós mentíamos pra caramba nesses chats! Já pensou o perigo?! Nessa época, eu desconhecia a palavra pedofilia e ainda nem tinha beijado na boca.

Depois do mIRC, minhas conversas virtuais passaram para as janelas de MSN, já no meu próprio computador, com pessoas que eu conhecia, depois de já ter beijado na boca, mas ainda com internet discada. Quantas vezes teclei madrugada a dentro com o paquera da faculdade? Quantas DR’s tive com meu primeiro namorado naquela janelinha azul? Mas o MSN, como quase tudo que é bom, veio e se foi.

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Coloquei banda larga em casa, terminei com meu primeiro namorado, terminei com meu segundo namorado e há mais de três anos estou solteira nessa vida bandida. De lá pra cá, os smartphones tomaram conta da minha experiência online. Passo o dia inteiro com o celular a uma distância segura, acompanhando as notificações com atenção. E foi no meu smartphone que, em 2015, eu resolvi instalar o Tinder!

Existe relacionamento no Tinder

Logo quando o Tinder virou febre, eu não me interessei em baixar o aplicativo, na verdade, sou uma retardatária na corrida pelos matches. Simplesmente achei que não combinava comigo. Um dos meus melhores amigos passava horas no app e, em um dos nossos encontros, ele me deixou dar uma olhada e ajudá-lo a distribuir likes e dislikes. Depois disso, confesso que fiquei intrigada com o aplicativo, mas complemento a confissão com o fato de que decidi não baixa-lo por morrer de vergonha do que as pessoas (o amigo recentemente citado, por exemplo) iriam pensar e falar.

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Ano passado, liguei o foda-se e baixei o Tinder, mas o nosso relacionamento não tem sido fácil desde então. Na minha primeira conta do Tinder (porque eu já tive umas quatro), conheci um rapaz do Rio de Janeiro que estava morando no Ceará em uma temporada a trabalho. Nossa, como eu pensei que tinha encontrado minha alma gêmea! Sério, gente, não ri! HAHAHA. Ok, pode rir, até eu acho graça das minhas histórias…

Mas voltando para a minha alma gêmea, depois da troca de mensagens no chat do aplicativo, começamos a nos falar por whatsapp (onde todos os relacionamentos se desenvolvem atualmente) e, um belo dia, nos conhecemos. Ele não era minha alma gêmea! Nem o segundo… Muito menos os que vinham com conversas escalafobéticas (sempre quis usar essa palavra oficialmente), cujo teor eu manterei em sigilo mas aposto que você já imagina.

Nem tudo está perdido

Não tive apenas experiências ruins com o Tinder. Sabe aquele crush para quem você sempre quis se declarar? Pois é, o meu estava lá e deu match! Não uma, mas três vezes. Agora adivinha o desfecho dessa história de (des)amor… Ela não deu em nada! Continuo com a mesma paixonite aguda e completamente platônica.

Mas, assim como Terezinha, o terceiro e o último rapaz que conheci no Tinder foi aquele que poderia ter rendido uma história bacana. Ao contrário do primeiro, eu achei ele um chato de galochas, até que a gente se conheceu e eu pude descobrir que ele é uma pessoa adorável (outra palavra que sempre quis usar oficialmente). Você deve ter percebido pelo “poderia ter rendido uma história bacana”, que não rendeu! Mas nem tudo é perfeito, concorda?

O fim do Tinder

A primeira vez que excluí o aplicativo

Dei um superlike (quando a pessoa pode ver que você curtiu o perfil dela) em um conhecido SUPER sem querer! Exclui o aplicativo na hora do desespero e, logo depois, fiz uma nova conta para saber se começava do zero. Começa!

A segunda vez que excluí o Tinder

Estava conversando com duas pessoas, já no whatsapp, e eles sumiram do mapa. Fiquei PUTA! Excluí essa baixaria.

A terceira vez que excluí o Tinder

Meu crush já estava me ignorando pela terceira vez e eu comecei a reforçar a ideia de que esse tipo de ferramenta não é adequada para mim.

A quarta vez que excluí o app

É, não é pra mim. Excluí e ainda não voltei. #rehab

Moral dessa história

Eu tenho certeza que é possível encontrar gente bacana no Tinder (basta saber que eu e meu crush estávamos lá), mas a maioria dos caras que conheci não queriam o mesmo que eu, ou simplesmente não combinavam comigo. Cada caso é um caso, né? Sei de gente que namora o match do Tinder, gente que casou com o match do Tinder! Então, se você tiver vontade de baixar o aplicativo, ligue o foda-se e baixe mesmo! E se não gostar, exclui a conta, amiga! É super fácil! De uma forma ou de outra, tomara que você tenha muitos matches, conheça muita gente interessante, converse, beije na boca, faça coisas escalafobéticas, enfim, o que você estiver afim de conseguir por lá.

Pra terminar esse post que já está bem longo, fica aqui um conto de fadas dos tempos do Tinder.

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